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Transformar e Transformar-se: Relações Sustentáveis nos e com os Grupos

Inês Amaro da Silva

Revista da SBDG – Nº 7

 

1 Introdução

Eu acho que a vida oscila o tempo todo entre o terror e a glória. Em qualquer pequeno ou grande momento, você olha e ele contém o terror e contém a glória. Do terror, já se falou muito, e isso criou um mundo onde as alegrias da vida estão ocultas. Eu acho muito mais necessário hoje em dia falar da glória do que do terror. Já foi tudo muito denunciado. É preciso denunciar que vale a pena viver!1

A complexidade e a simultaneidade de tendências nos campos econômico, político, social e cultural, nas esferas local e mundial, é uma das fortes marcas de nosso tempo. Coexistem cooperação e competição, criação e destruição, manifestações da mais alta civilização e da mais cruel barbárie, com expressões de desigualdades e resistências de todas as ordens. Os acontecimentos podem nos soar antagônicos e paradoxais; revelam contradições densas de significados e possibilidades quanto aos caminhos de superação e aos possíveis saltos qualitativos que estamos sendo capazes ou não de dar, como humanidade, em nosso tempo histórico.

As novas concepções a respeito do desenvolvimento, entre essas o desenvolvimento sustentável, inserem-se entre essas tantas projeções da vontade humana acerca de como conduzir, recriar e/ou garantir nossa vida no planeta, em um campo de forças sociais e políticas, dinâmico e conflitado. Há um espaço ocupado por novos atores sociais, protagonistas de práticas e/ou intenções revestidas do desejo por viver outros valores, desejo este que contém suas próprias contradições e, muitas vezes, prisioneiro de velhos hábitos. De qualquer forma, diferentes vozes ecoam e novas experiências acontecem ao lado de arraigadas práticas; renovação e conservadorismo convivem nas pessoas, nos grupos e nas organizações, das mais tradicionais às mais inovadoras. Falar de novos padrões de desenvolvimento é um desafio em contextos onde a competição destrutiva e a degradação ambiental é historicamente a base principal de sustentação do modelo produtivo. Entretanto, movimentos de disrupção acontecem dentro do próprio sistema, carregando em si a potencialidade tanto de reinventar para permanecer a ordem, quanto de instaurar o novo, uma nova ordem.

As lutas para a materialização de direitos sociais, difusos e coletivos, e de imperativos éticos da época atual, tais como a cidadania, a justiça, a democracia, a igualdade, a equidade e a liberdade, traduzem-se em avanços em direção ao desenvolvimento humano-social. Por outro lado, conforme aponta Pereira (2010), no seio do neoliberalismo e dos novos discursos que proliferaram pelo planeta, tais lutas sinalizam também as contradições da nova forma de sociabilidade, por exemplo, a coexistência entre políticas de inclusão e práticas de exclusão, ou mesmo a ilusão de progresso e acesso, ao lado da ainda presente violência contra os direitos humanos e sociais.

No plano das relações humano-sociais, as redes de cooperação que se multiplicam, tanto como via de sobrevivência dos negócios em organizações e mercados de todos os tipos, quanto como formas originais de viver e se relacionar, manifestam também novas formas compartilhadas de trabalho, no contexto de uma economia colaborativa e sustentável. Em seu bojo, muitas dessas redes veiculam valores como a simplicidade, o senso de coletividade e a confiança e buscam romper com o modo atual de viver, produzir e consumir, hegemonicamente sustentado no capitalismo. Configuram, paradoxalmente, as premissas da sociedade global em rede e do consumo global, e esses novos ideais, em suas formas mais contemporâneas (CASTELS, 2000).

Diante desses cenários, nosso objetivo neste artigo é explorar possíveis caminhos do trabalho com grupos como espaços de cocriação de relações potencialmente instituidoras de novos valores e práticas, capazes de transformar realidades. Acreditamos, sim, que se as bases materiais e, no nosso caso, as relações sociais de produção capitalista, são o lugar onde se produzem e reproduzem as relações sociais, tanto novas formas de trabalho quanto novas formas de pensar a vida em sociedade e de se relacionar podem ser instituidoras, de modo orgânico, de novas relações sociais, num processo de retroalimentação entre a estrutura econômica e a superestrutura social e política da sociedade. Intencionalmente, optamos por uma posição que busca dar cor e luz ao que emerge nessas relações e que se contrapõe ao status quo.

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1 Domingos Oliveira, dramaturgo e diretor de cinema brasileiro. Disponível em: . Acesso em: 12 nov. 2014.

Consideramos, assim, que qualquer processo social envolve a realidade concreta, as condições materiais de existência nas esferas econômica, social, política, jurídica e cultural onde se produz, bem como inclui dimensões não materiais, ligadas a condições subjetivas de existência, que dialeticamente interagem na sua constituição e no seu movimento. Os movimentos de transformação, desse modo, precisam contemplar e sustentaremse em dimensões objetivas e subjetivas, materiais e ideais, abarcando estruturas e processos intrapessoais, interpessoais, grupais, institucionais e interinstitucionais.

Queremos olhar, neste artigo, para a potencialidade transformadora existente nos pequenos grupos para a emergência de novas relações sociais, que estamos condensando na categoria “relações sustentáveis”. Trata-se, assim, de uma reflexão teórica com base em pesquisa bibliográfica, em parte realizada em nossa tese de doutorado (SILVA, 2014), e na experiência com coordenação de processos grupais e práticas educativas, com o objetivo de contribuir com o avanço de novas leituras e intervenções grupais na contemporaneidade, a partir do diálogo com a teoria da complexidade.

2 Um olhar sobre a complexidade e a sustentabilidade nas relações

O que é retirar o sapato? O sapato representa o que está amoldado ao nosso pé, é a forma que acompanha nosso feitio, nossos calos. Deus diz ao ser humano como disse a Moisés: – Descalça teus sapatos, retira de ti o habitual que te envolve e reconhecerás que o lugar onde estás nesse momento é sagrado. Porque não há lugar ou momento que não seja sagrado.2

Entendemos que o processo de transformar e transformar-se exige, constantemente, sair do habitual. A necessidade e o desafio de tirar os sapatos, pisar o chão descalço, sentir o diferente e calçar outros sapatos, enquanto se continua a caminhar, é condição para acessar o novo. Da mesma forma, ao longo de nossa trajetória de estudos e de práticas, fomos percebendo que o caminho do conhecimento (de si, do outro, das realidades) adquire diferente sentido quando nos coloca em contato com a dimensão do sagrado, como provocação e como reflexão – o sagrado não no sentido metafísico de formas religiosas e mágico-religiosas, mas também um sagrado “secular”, na perspectiva de uma organização unificadora de experiências de sentido, a qual retornaremos ao final deste artigo.

Na sua radicalidade, a sustentabilidade do desenvolvimento está associada a uma mudança de paradigma e convoca a uma profunda reflexão sobre o padrão atual de desenvolvimento econômico sustentado no modo capitalista de produção, já tão bem desvelado pela tradição do materialismo histórico dialético (MARX, 1993; 2012), na complexidade de suas expressões contemporâneas e de sua lógica destrutiva do ponto de vista social e ambiental (ANTUNES, 1999).

O contexto da sociedade de riscos (BECK, 1998) e a crescente complexidade do mundo radicalizam a necessidade de repensar tal modelo de desenvolvimento. O próprio avanço da ciência, onde se gestam novas descobertas e teorias, abala as crenças em verdades únicas e absolutas que sustentaram o próprio projeto moderno, eclodindo novas formas de apreender a realidade, expressas em um amplo conjunto de intelectuais e pensadores contemporâneos. As novas ciências e as novas abordagens na produção de conhecimento nos desafiam a mudar a atitude e o modo de abordar o mundo. Assim, paradigmas e epistemologias que sacudiram as estruturas da racionalidade cartesiana moderna, propondo novas formas de conhecer e se relacionar, passam a disputar lugar com diferentes “verdades” acerca da vida e do aprender. Como aponta Stengers (2002), uma nova racionalidade, uma nova ciência, reconhecida como social e política, que produz interpretações sobre a realidade, e não mais uma verdade única e absoluta, passa a ser o lastro comum sobre o qual se constrói e reconstrói o conhecimento.

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2 Rabino de Apta na sua obra Oiev Israel, citado por Bonder, Nilton no livro Tirando os Sapatos (2008, p. 21). O autor apresenta o relato da experiência de peregrinação no Oriente Médio, como parte de um projeto internacional que reconstrói o Caminho de Abraão, bem como apresenta sua viagem espiritual interna, quando se defronta com os diferentes significados que a trajetória de Abraão tem para as três maiores religiões monoteístas.

Entre essas novas abordagens encontramos no pensamento complexo de Edgar Morin, que começou sua trajetória intelectual e militante no marxismo, um caminho para compreensão da realidade atual e, em especial, para a construção de um diálogo produtivo entre os processos grupais e a perspectiva do desenvolvimento sustentável, expressa na visão da sustentabilidade.

Dessa forma, a busca por conexões entre relações sustentáveis e os pequenos grupos tem por base o paradigma da complexidade e a crença de que, na atividade educadora, não podemos prescindir de uma visão de mundo e de valores que alimentem uma nova paisagem de ser humano, de relações e de sociedade, inspirada em dimensões subjetivas e objetivas da existência. Tal concepção requer um fluxo contínuo, permanente e motivado de abertura e de iniciativas necessárias para mudar, para transformar.

Cabe então a pergunta: Seria possível, nesse sentido, buscar estabelecer pontes entre a perspectiva do materialismo histórico-dialético e esta visão de que a realidade material não é a única forma de realidade, os campos invisíveis são fundamentos subjacentes à realidade e estruturam os espaços onde a realidade observável se manifesta, estabelecendo as conexões? (KAPLAN, 2005).

Partimos da concepção de desenvolvimento sustentável, que emerge como categoria contemporânea que condensa uma multiplicidade de contradições e determinações sócio-históricas, econômicas e políticas e como síntese de ideais e projeções de uma melhor perspectiva de vida no planeta. Como aponta Veiga (2008), o desenvolvimento sustentável, que tem suas origens nos movimentos ambientalistas e ganha expressão no século XX nas Conferências das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente, ao longo do tempo passa a ser uma categoria plena de diferentes versões (VEIGA, 2008). Da mesma forma a categoria sustentabilidade. Segundo o autor, assim como a ideia de “[…] democracia – entre muitas outras ideias tão fundamentais para a evolução da humanidade”, a sustentabilidade “sempre será contraditória, pois nunca poderá ser encontrada em estado ‘puro’”(VEIGA, 2008, p. 164). A força da sustentabilidade reside justamente em delimitar um campo amplo no qual se estabelece uma luta política sobre o sentido que deveria ter o meio ambiente e o desenvolvimento econômico-social no mundo contemporâneo.

Ao já conhecido triple botton line da sustentabilidade (econômico, social e ambiental), outros autores foram acrescendo novas dimensões: a sustentabilidade ecológica, espacial, cultural e política (SACHS, 2008). A dimensão social do desenvolvimento, neste contexto, tem sido considerada no enfoque da melhoria da qualidade de vida da população como um todo, da maior participação nas estruturas de poder, da ação política com autonomia e independência e da construção de novos paradigmas éticos que contribuam para a felicidade e realização humana (PARENTE; ZAPATA, 2012). Tal perspectiva bem cabe também na concepção de Amarhya Sen (2000) sobre o desenvolvimento sustentável. Partindo do conceito de garantia das necessidades das atuais e futuras gerações, apresentada no documento Nosso Futuro Comum, o denominado Relatório Brundtland, de 1987, Sen (2000) salienta que é preciso resgatar a noção de valores e de liberdade na sustentabilidade, ou seja, a liberdade de decidir pautada em valores e na preservação dos mesmos, o que pode estar muitas vezes para além da lógica das necessidades.

Salientamos, desse modo, que o desenvolvimento, como processo orgânico, como um fenômeno humano, não é padronizado. Envolve os valores e os comportamentos dos agentes participantes, suscita práticas imaginativas, atitudes inovadoras e espírito coletivo. Os conceitos de participação e empoderamento dos sujeitos e de fortalecimento das relações e das comunidades são essenciais ao desenvolvimento, ou seja, um dos principais eixos do desenvolvimento é o capital humano e social (MELO NETO; FROES, 2002). A dimensão humana e social do desenvolvimento é o elo e o elemento de motivação, o que implica recolocar o ser humano como sujeito que, na relação dialética com a sociedade, pode transformar e fazer história com ética, dignidade e equidade.

 A sustentabilidade requer introduzir esses novos modos de pensar o mundo e a sociedade. Como aponta Kaplan (2005, p. 77),

outro modo de organização, o modo receptivo, permite que os eventos aconteçam em vez de tentar sempre impor e manipular. […] O modo receptivo – o âmbito da imaginação, da totalidade e de pertencer ao todo – precisa ser reaprendido, uma vez que o modo ativo tornou-se predominante, para que então eles se integrem numa espécie de simultaneidade ou visão dupla.

Segue o autor destacando que, para que possa se manifestar em seu máximo potencial, o mundo precisa de nossa autoconsciência. É nossa compreensão que permite que o mundo possa emergir de forma completa. “O desenrolar do mundo e de nossa criatividade são uma coisa só. Estamos implicados; e também estamos indissoluvelmente conectados a isso” (KAPLAN, 2005, p. 81).

O pensamento complexo indica caminhos para esse outro modo de pensamento, um pensamento que busca ao mesmo tempo distinguir – mas sem separar – e unir. Como também propõe Morin (2008), é preciso reatar a ciência com a reflexão filosófica e com a consciência política e ética.

Entre as tantas perspectivas de compreensão desses processos, focamos aqui a historicidade da experiência humana no mundo, permeada pelo processo de conhecimento, o qual foi permitindo um domínio do homem sobre a natureza. Nesse sentido, Marx desvendou brilhantemente a relação orgânica original do homem com a natureza, mediada pelo trabalho e, na leitura marxista, é o capitalismo que, por meio do trabalho estranhado/alienado e da propriedade privada, rompe definitivamente com esta organicidade original. O conhecimento científico moderno, nessa perspectiva, pode também ser considerado o ápice dessa possibilidade de domínio da natureza, permeada pela necessidade de controle e pela competição e exploração.

O paradoxo entre o progresso e as conquistas resultantes da produção de conhecimento e da tecnologia e as contradições geradas por este mesmo progresso que se gesta em um dado modo de produção, o qual também produz desigualdades sociais e ameaças ambientais, faz emergir resistências e novos olhares para a vida. Em nosso entendimento, apropriar-se da sustentabilidade exige essa ruptura de paradigma e uma mudança de base em relação aos nossos padrões de vida e pensamento. É preciso mudar lógicas, jeitos de conhecer, interpretar e compreender– jeitos de ser, pensar, sentir e agir/consumir, mudar padrões de relações, por meio de gradativos processos de aprendizagem e transformação.

Nessa perspectiva, o paradigma da complexidade, em oposição ao paradigma da simplificação, propõe a complexidade não como resposta, mas “[…] como desafio e como uma motivação para pensar” (MORIN, 2008, p. 176), com base em um “[…] conjunto de princípios de inteligibilidade que, ligados uns aos outros, poderiam determinar as condições de uma visão complexa do universo (físico, biológico, antropossocial)” (MORIN, 2008, p. 330). Tal pensamento, ao mesmo tempo em que reconhece a necessidade de distinguir e associar, mas não separar, requer articular e conceber a emergência.

O pensamento complexo aspira à multidimensionalidade e percebe a complementaridade entre ordem, desordem e organização nos fenômenos, através de três princípios: o princípio hologramático, que implica o movimento circular que vai das partes para o todo e do todo para as partes para compreender um fenômeno/processo social; o princípio da organização recursiva, que remete ao círculo produtivo ininterrupto do processo social onde a produção se dá pelas interações, que produzem um todo organizador, o qual retroage sobre as partes para coproduzi-las, de forma que os produtos são de algum modo necessários para a produção daquilo que os produz; e o princípio dialógico, compreendido como a possibilidade de unir duas lógicas, dois princípios numa dualidade, sem perder a unidade (MORIN, 2008).

O caminho para um pensamento dialógico é o caminho para o pensamento multidimensional. O diálogo com a contradição emerge, assim, não na perspectiva de superação, mas de complementaridade, pois o princípio dialógico permite “[…] manter a dualidade no seio da unidade” (MORIN, 1991, p. 89), e a aventura do conhecimento é “[…] um diálogo em devir entre nós e o universo” (MORIN, 2008, p. 223).

Pensar a complexidade nos permite identificar que é na interdependência, na interação entre desordem e ordem, entre certezas e incertezas e entre estruturas planejadas e estruturas emergentes que se organizam os processos. No pensamento de Morin, a dialógica é fundamental para compreender a complexidade do mundo, pois o diálogo associa termos ao mesmo tempo complementares e antagônicos.

Morin (2010) constata a inadequação cada vez maior do saber fragmentado e compartimentado nas disciplinas diante das realidades multidimensionais, globais, transnacionais e planetárias e dos problemas cada vez mais transversais, que assumem características poli e transdisciplinares. Segundo o autor, a não pertinência do ainda vigente modo de conhecimento e de ensino, produzida por uma inteligência que se torna cega e irresponsável, porque que separa e é incapaz de pensar de forma complexa, necessita ser superada.

Tendo por base essas premissas, tecemos mediações entre a sustentabilidade, a complexidade e a emergência de relações sustentáveis nos pequenos grupos. Compreendemos os pequenos grupos como uma organização complexa pertencente a uma organização complexa maior, a sociedade, que se movimenta dinamicamente entre ordem-desordem-organização, segundo os princípios hologramático, recursivo e dialógico. A cada tempo, os pequenos grupos são produzidos e produtores, reproduzem estruturas dadas, assim como de seus movimentos podem emergir estruturas emergentes, tensionadas pela possibilidade dialógica entre os contrários que mobilizam movimentos de dinâmico equilíbrio e mudança.

A perspectiva da sustentabilidade, essencialmente, ao evocar a não fragmentação e uma “ética da perpetuação da humanidade e da vida” (VEIGA, 2008, p. 165), requer um olhar complexo para as realidades. Requer olhar a realidade nas suas dimensões sensorial e imaginativa, pois, como pergunta Kaplan (2005, p. 75), “O que essa habilidade de enxergar o todo, ou a falta dela, tem a ver com a nossa condição atual no mundo?”

Resgatar a relação orgânica com a natureza, pela consciência e pela ação no mundo, migrar de um padrão baseado no controle e dominação, para um resgate de valores e tradições que nos reconectem com o todo, requer uma nova racionalidade, requer uma aprendizagem não apenas cognitiva, mas afetiva. Exige vivenciar. Assim compreendida, essa transformação passa pelo autoconhecimento e heteroconhecimento, modifica lógicas, jeitos de conhecer, interpretar e compreender, bem como jeitos de ser, pensar, sentir e agir/consumir, ou seja, muda padrões nas relações. Entendemos o espaço dos pequenos grupos como um dos lócus privilegiados para experimentar viver a aprendizagem dessas relações.

3 Manifestando Relações Sustentáveis: Transformar e Transformar-se

Tomando como referência a ideia de relações sustentáveis, pensamos alguns elementos importantes ao desenvolvimento que implicam associações horizontais entre pessoas, entre pessoas e organizações, e entre organização e ambiente, incluindo a dimensão social e política em que se situa a estrutura social.

Utilizamos aqui a noção de capital social, que se associa à ideia de relações de confiança e reciprocidade na economia (PUTNAM, 2005) e envolve a noção de comunidades de prática, tendo na cooperação o primeiro fator para a criação de um ambiente favorável ao desenvolvimento. A sustentabilidade social requer essa cultura de cooperatividade sistêmica, em que as pessoas se conectam umas com as outras, segundo um padrão horizontal de organização, que gera interdependência. Do ponto de vista do capital social, conectividade horizontal e interdependência conduzem à autonomia das pessoas e não à subordinação. Os princípios já apontados da complexidade, acrescidos do princípio da auto-organização, permitem compreender de forma clara essa relação entre autonomia e dependência.

Para Morin (2008), o sistema é a organização das unidades, que cria ordem e desordem, entropia e neguentropia. Ou seja, a organização é reorganização permanente e necessita tanto de abertura para intercâmbio de informação e energia quanto de fechamento, de modo a manter identidade, singularidade, estabilidade e confiança para manter-se vivo. Esta é a contradição entre abertura e fechamento, autonomia e dependência, que caracteriza os sistemas vivos e, neste caso, os grupos, pensados como organizações vivas, autoeco-organizadoras.

O capital social implica, também, que as pessoas compartilhem valores e objetivos comuns, ou seja, que tenham um projeto comum, base para criar um clima favorável na qual todos participam voluntariamente de ações conjuntas, às quais atribuem sentido. A existência de projeto comum, conectividade horizontal e interdependência levam à constituição de uma rede de cooperação e confiança, fundamental na noção de capital social.

Por outro lado, o capital humano soma-se ao capital social na perspectiva do desenvolvimento (MELO NETO; FROES, 2002) e envolve a capacidade de as pessoas fazerem coisas novas, exercitando a sua imaginação criadora – o seu desejo, sonho e visão – e se mobilizando para adquirir os conhecimentos necessários. Um ambiente favorável ao desenvolvimento depende da liberdade para criar e da ousadia de inventar. Ou seja, para desencadear um processo de promoção do desenvolvimento, precisamos criar um ambiente favorável ao desenvolvimento. Assim, do ponto de vista do desenvolvimento social e humano sustentável, criar este ambiente favorável é começar a investir no capital humano e social como base da sustentabilidade das relações.

Pensamos que o espaço dos pequenos grupos se constitui em lugar privilegiado na experimentação dessas relações. Diferentes autores contemporâneos que dialogam com as formas emergentes de compreender a realidade trazem importantes contribuições nesse sentido. Maturana (2002a) resgata o amor como emoção fundamental da história humana, como a emoção que funda o social, ainda que nem toda a convivência humana seja social, como esclarece. Para Maturana, o amor constitui o domínio de ações onde o outro é aceito como um legítimo outro na convivência, condição fundamental para o desenvolvimento humano em todas as dimensões. As relações humanas que não estão fundadas no amor, não são relações sociais, de modo que nem todas as relações humanas são sociais, assim como nem todas as comunidades se fundam na operacionalidade da aceitação mútua. Coloca o autor que, sem uma história de interações suficientemente recorrentes, envolventes e amplas, em que haja aceitação mútua num espaço aberto às coordenações de ações, não podemos esperar que surja a linguagem, que faz frente à competição. Ou seja, se não há interações na aceitação mútua, produz-se a separação e/ou a destruição, e não cooperação.

O pensamento até aqui exposto em relação à sustentabilidade e à complexidade tem destacado a importância da não fragmentação. A implicação do sujeito na realidade como observador e coautor/cocriador é outro ponto de profunda mudança nessa abordagem. Como disse Kaplan, já citado, estamos todos implicados.

O modo de pensar complexo comunga da perspectiva que introduz a subjetividade e a amorosidade como parte ativa do processo de conhecimento do real, que também pode ser expressa na chamada “objetividade entre parênteses” (MATURANA, 2002b), já que a realidade existe para nós a partir de nossa experiência na realidade e não existe realidade independente desta relação, o que significa que a intersubjetividade implica o reconhecimento de múltiplas verdades sobre a experiência.

Atuar com os grupos nessa perspectiva significa como coordenador/educador colocar-se como parte da realidade nos e com os grupos e estar atento às formas de manipulação e de controle que atendem à necessidade de certezas e previsibilidade, bem como experimentar outras formas, que envolvem o estar dentro, retomar o sentido de participação e de unidade, em uma relação orgânica e holística com os processos.

Entendemos que os pequenos grupos podem ser espaços de encontro das identidades individuais e coletivas e de contraposição ao individualismo, nesse ambiente de consensos sobre diferentes verdades subjetivas. Os modelos participativos baseiam-se na criatividade e no espírito de grupo, os quais demandam relações de afeto e intensas interações onde, por meio da linguagem, pode-se instaurar a cooperação. A aprendizagem em grupo é capaz de potencializar resultados, criando a sinergia, onde o todo é muito maior que a soma das partes, enquanto esforços isolados podem ser inócuos. Como já propunha Moscovici (2004), um processo grupal desenvolvido desafia a organização grupal a incluir rigidez e flexibilidade, competição e cooperação, conflito e respeito às diferenças individuais, incerteza e confiança, o não dito e a comunicação aberta, o individual e o coletivo.

 Interagindo com as determinações e condicionantes dos contextos onde se inserem e vivem, os grupos humanos encontram e/ou criam espaços de possibilidades que resultam da condição humana de reflexão-ação sobre si mesmo e sobre a realidade. Os valores se produzem nas relações sociais e têm suas bases materiais e imateriais de sustentação encontrando nos pequenos grupos possibilidades de experimentação, confrontação e transformação, desde que acreditemos na capacidade humana de reinventar-se no processo histórico, em nível coletivo, bem como no microprocesso vital de cada um.

Trabalhar a sustentabilidade das relações é, assim, resgatar a capacidade cooperativa do ser humano numa sociedade hegemonicamente baseada no individualismo, no hedonismo, no egocentrismo e no consumo. É contribuir na abertura de espaços que permitam emergir ou fortalecer processos em curso na sociedade que buscam dar mais cor e luz à prática do amor, da empatia e da solidariedade coletiva, vividos na contradição do processo histórico humano-social como forças transformadoras.

Podemos olhar desse modo as múltiplas iniciativas de pequenos grupos e coletividades maiores que experimentam, praticam, lutam, conquistam formas de viver e que trazem em si a semente do novo. Tais iniciativas estão representadas em lideranças, organizações e sujeitos sociais diversos e recebem denominações as mais variadas, enfatizando diferentes dimensões da mudança e que se relacionam ao que podemos condensar na ideia de sustentabilidade do desenvolvimento – são práticas econômicas, espirituais, sociais e culturais que ganham expressão, por exemplo, no consumo consciente, no comércio justo, na economia solidária, nas práticas ecológicas, nas habitações sustentáveis, nas moedas sociais, nas tecnologias limpas, nos produtos e embalagens sustentáveis, nas cadeias de consumo sustentáveis, na autogestão do trabalho, nas cooperativas sociais, no desenvolvimento de práticas espirituais e terapias integrais, entre outras manifestações. O potencial transformador dessas práticas não está dado. Reinvenções do sistema para permanecer? Inovações capazes de gerar rupturas e criar uma nova ordem?

Somos desafiadas, como coordenadora de processos grupais, a lançar novos olhares, fazer novas perguntas, caminhar em novas direções. Só será um grupo um espaço de emergência de relações sustentáveis se a relação coordenadorgrupo for baseada em valores que sustentem essas relações e que nos permitam abrir mão da onipotência, da onipresença e da onisciência. Assim, haverá espaço para a competição e cooperação, conflito e entendimento, como propõe a perspectiva complexa de Morin. Um sistema complexo desenvolve a capacidade de integrar os “ruídos” que se manifestam nas relações grupais de diferentes formas, e de manter-se funcionando num equilíbrio dinâmico que assegura confiabilidade.

Como bem apontam Seminotti e Alves (2013), trabalhar na complexidade desafia o coordenador a utilizar-se dos princípios do pensamento complexo na forma de perceber a organização “pequeno grupo”. Assim, podemos refletir: De que outros modos podemos olhar para as relações nos pequenos grupos? Como relacionar fenômenos e variáveis como papéis, comunicação, poder, liderança e autoridade, conflito, normas, regras, objetivos e valores na perspectiva das relações sustentáveis? Como tais fenômenos aparecem como manifestações de um tipo de sociedade e cultura e como podem ser trabalhados, tendo em vista investir, semear ou dar espaço à gestação de novos valores e visões de mundo e sociedade, na relação orgânica com este ambiente, como fenômenos que de forma recursiva são produtos e produtores? Como as práticas de formação que acontecem nos pequenos grupos podem abrir espaço para esses outros olhares voltados à transformação, em um sentido mais amplo e profundo?

O pequeno grupo é, assim, um sistema complexo, uma unidade múltipla e complexa que integra vários sistemas em um sistema que é auto-organizado e extraorganizado e busca uma organização autoeco-organizada (SEMINOTTI; ALVES, 2013), isso compreendendo o pequeno grupo como a possibilidade de um espaço democrático de construção de saberes, que permite proximidade, construção de vínculo emocional, diálogo, galeria de espelhos, partilha de emoções, experiências e conhecimentos; como um espaço de criar e recriar a relação eu/outro/nós/sociedade/ planeta/universo.

Nessa perspectiva, cabe à coordenação de grupo evitar a interpretação explicativa causal dos processos, coloca Kaplan (2005), trata-se de compreender, não de explicar. Ainda, trata-se de estimular o intercâmbio tendo em vista gerar coesão, troca de informação e um clima que aceite e respeite a lógica/verdade de cada singularidade, compondo cada parte num todo orgânico (SEMINOTTI; ALVES, 2013).

Finalmente, a busca por olhar para o todo. O todo, que é o que emerge das conexões e relações, permite organizar nossas percepções e ver o sentido – implica ir além das limitações do modo materialista de ver o mundo para enxergar os campos e forças invisíveis e as relações que compõem o nosso mundo. Perceber o todo nos grupos é descobrir uma nova forma de organizar aquilo que estava sendo observado.

4 Finalizando: Os Grupos como Espaços de Cocriação do Novo

Entendemos que podemos contribuir para a construção de relações sustentáveis nos e com os grupos trabalhando na busca do reequilíbrio das tensões entre as polaridades, resgatando, despertando, potencializando, ou mesmo incluindo valores que estão presentes, muitas vezes não qualificados ou compreendidos como fundamentais.

Uma questão central a retomar aqui é como olhamos, de onde olhamos, para o que olhamos quando trabalhamos com os pequenos grupos. Na perspectiva das relações sustentáveis, o olhar se volta ao que emerge como possibilidade nas relações, às potências, à participação, à ampliação e expansão de perspectivas e possibilidades; olhar para a flexibilidade das estruturas, normas e regras, para o compartilhamento do poder e para as formas de cooperação sistêmica. Inclui olhar para as capacidades de conhecimento e mudança, para a possibilidade de diálogo entre os diversos contrários e para o conflito e as tensões como movimento da ordem-desordem-organização, em fluxos contínuos e instauradores de novas ordens, nas relações indivíduo-grupo-sociedade.

Esta perspectiva traz também em si uma nova concepção de poder, como sugere Kaplan (2005). O poder essencialmente como um fenômeno de desenvolvimento e da criação, pois o poder está no processo de desenvolvimento, no vir a ser, na constante oscilação das polaridades com poder/sem poder, em busca da inconsciência para a consciência. Dessa forma, concordamos que,

se um organismo social é um sistema vivo, a mensagem então fica clara: ele não deve ser conduzido com excessiva firmeza, não deve ser estruturado muito rigidamente, nem administrado muito de perto, deve-se permitir ele se organize, mantendo-o aberto a novos impulsos e informações. Se possibilitarmos que ele seja guiado por seus valores e sua visão, pela compreensão e articulação de suas tarefas, em vez de insistirmos demais nas regras e na regulação, o organismo manterá sua vitalidade. (KAPLAN, 2005, p. 153).

Como prossegue o autor, é possível que nossa maior contribuição para um sistema social ou para uma situação seja abrir espaço e permitir que aconteça, estimular a confiança e o calor pessoal para incubar novas ideias e possibilidades criativas. Isto é, o que deve ser alimentado, apoiado e nutrido é a percepção de que o organismo tem de si, de sua identidade e de seu impulso, “daquilo que, nas palavras de Pogacnik, está ‘tentando nascer’” (KAPLAN, 2005, p. 155).

A essência desse fluxo, como processo contínuo de recriação, está na relação coordenador/educador e grupo, na relação aberta e vulnerável e não fechada e defensiva, que implica sustentar-se com leveza. Somos, assim, cocriadores e não criadores. Podemos apenas trabalhar com o organismo em questão, para que ele perceba suas possibilidades únicas de vir a ser. Esse trabalhar de modo complexo com os pequenos grupos, na perspectiva de relações sustentáveis, compreendendo que somos fora e dentro, somos participantes do processo de desenvolvimento e evolução que nos propomos despertar, acompanhar, promover e colaborar. Essa é a essência da cocriação e da crença na possibilidade transformadora a partir dos indivíduos em suas relações sociais.

Retomando a abertura do artigo, em qualquer processo desta natureza, trata-se de “fazer sentido”. Conforme Portal,

a atribuição de sentido é a principal motivação da nossa vida, o que nos remete a refletir sobre a excessiva preocupação que temos dispensado ao nosso fazer, que, não raro, nos vem dando desastrosas e desumanas demonstrações de sua desconexão da estreita, sutil e inseparável relação que inquestionavelmente mantém com o nosso ser, desconsiderando de forma irresponsável ser dele desvelador e por ele orientado. (PORTAL, 2010, p. 143).

A autora prossegue refletindo sobre as escolhas e suas estreitas e sutis implicações, relacionando com o sentimento de responsabilidade. Assim, tratar do tema da sustentabilidade na perspectiva que abordamos, requer integrar uma terceira inteligência, a espiritual que, segundo Zohar e Marshal, é uma inteligência

[…] com a qual podemos colocar nossos atos e nossa vida em um contexto mais amplo, mais rico, mais gerador de sentido. É a inteligência com a qual podemos avaliar que um curso de ação ou caminho na vida faz mais sentido do que outro […]. (ZOHAR; MARSHAL, 2000 apud PORTAL, 2010, p. 147).

A espiritualidade seria esta dimensão do sagrado, o espírito animador, o que nos permite trazer vida à vida, questionar propósito e significado. Assim considerada, esta nos parece uma dimensão essencial a integrar a visão de mundo e os valores para uma sociedade sustentável, num contexto que Kaplan (2005, p. 220) chamaria de “batalha entre maestria técnica e intimidade espiritual”, num mundo onde tudo se torna ambíguo, relativo, contraditório e descentrado, e onde somos todos convidados a buscar nosso próprio centro.

 

Referências

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