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O olho gordo da inveja

A inveja é chamada também de olho-gordo, mau-olhado e seca-pimenteira porque a constituição da palavra advém do latim invidere, que conota um olhar de soslaio ou com mau-olhado.

Há a crença de que algumas pessoas, por meio do olhar, têm o poder de fazer murchar as flores, adoecer outras pessoas, entre outros. O olho-gordo é atraído por algo que pareça uma vantagem aos olhos de quem observa como: dinheiro, forma, beleza, inteligência, etc.

inveja

O modo que vemos determina o que vemos. O olhar desempenha uma função importante na vida das pessoas e é o melhor meio de comunicação corporal, tanto que alguns políticos passam por treinamentos específicos para desenvolvimento de um olhar que gere confiança e melhore o seu “marketing” pessoal junto aos eleitores.

Para se proteger do que acreditam ser o mau-olhado, as pessoas usam amuletos como: pulseiras com figas ou elefantes; sal grosso e cristais. Também são creditados poderes protetores a algumas plantas como: comigo-ninguém-pode, espada-de-são-jorge, arruda, alecrim e guiné.

Já para a cura do mau-olhado é necessário procurar uma benzedeira, geralmente uma mulher de meia idade que, com a ajuda de galhos de arruda, faz diversas rezas para desfazer o mal. Ao término da reza, o galho de arruda encontra-se murcho e o doente do mau-olhado, curado.

A moderna antropologia tem reunido significativas provas de que esta crença greco-latina na força do olhar, sobretudo o mau-olhado, fez-se presente nos povos mediterrâneos e, até, além deles.

Na crendice popular, o amuleto mais poderoso no combate ao olho-gordo é a figa, que data do império romano. Ela combate o mau-olhado e outras forças negativas.

Outro sentimento supersticioso de alguns povos antigos, mas que ainda é observado por todos os povos, é o de que os olhos dos mortos, principalmente os que sofreram para morrer, devem ser fechados com moedas para que eles não possam lançar seus olhares invejosos sobre os vivos.

Os ritos africanos são todos para afastar os efeitos dos olhares invejosos. Entre os judeus, as tefelins e as mezuzás  são símbolos de proteção contra a inveja. Na China, a inveja é conhecida como o mal do olho avermelhado. Os monstros e os personagens maus tem olhos grandes e avermelhados como sangue.

Outros sim, muitos são os relatos feitos por estudiosos, dos diferentes folclores e etnias, acerca do uso de objetos com o propósito de impedir a ação da inveja.

JOSIANE SANTANA, ROSANA CORDEIRO e TERESA PEDRI

SBDG – Caderno 66 – A inveja e o desenvolvimento grupal pg. 4

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