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Mistério e poesia nos grupos

Os domínios do mistério prometem as mais belas experiências. (Albert Einstein)
 
Era uma vez um grupo… Que se encontrou com um coordenador competente e experiente e combinaram ter encontros… Que aconteceria nesses encontros? Mistério…!
O grupo aceitou enfrentar os mistérios dos encontros.
O coordenador também aceitou enfrentar os mistérios do grupo.
E assim cada encontro continha mistérios que todos tentavam decifrar.
E também viveram momentos mágicos dentro do mistério… com muitas emoções, da tensão ao
alívio, do riso às lágrimas… e vice-versa.
E o coordenador competente e experiente também compartilhava das emoções do grupo, tornando-se, pouco a pouco, um membro integrado ao grupo.
E assim viveram felizes eternamente… enquanto durou!
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Cada encontro é um mistério…
Não se sabe o que vai acontecer, e todos aceitam esta variável como necessária, como componente básico da metodologia de laboratório. Bem diferente de uma aula, uma conferência, uma reunião de trabalho em que a pauta ou agenda é conhecida de antemão e seguida, tanto quanto possível. Sabemos que mesmo em situações bem definidas e estruturadas podem
ocorrer desvios inesperados que atrapalham e até impedem a execução cabal do planejado.
 
Todos os grupos têm mistérios!
E momentos mágicos!
 
A energia do grupo parece ter propriedades mágicas… não depende nem se sujeita inteiramente
ao comando do coordenador. Quantas vezes, em momentos difíceis, de grande tensão, o grupo resolve a situação de forma original, surpreendente, restabelecendo a homoestasia do processo grupal. E recorrendo mais à emoção do que à razão.
Esta sabedoria intrínseca do grupo é sempre um mistério para qualquer coordenador, novato ou
experiente…
 
O coordenador então, pouco a pouco, aprende a confiar no grupo, a deixá-lo mais livre para regular seu metabolismo.
O aparente e o oculto compõem a nossa realidade, formando a metáfora “luz e sombra”.
Luz e sombra estão sempre presentes, embora nossa tendência racional concentre-se na luz, no
aparente ou explícito.
 
O coordenador trabalha inicialmente com o aparente – procurando descobrir e atingir elementos
subjacentes da sombra. Seu planejamento baseia-se na observação técnica, na leitura do grupo em cada encontro, no explícito (luz) e nas inferências sobre o implícito (sombra).
 
As vivências no grupo, muitas vezes, sugerem algo que transcende a realidade imediata visível. Poderia haver uma outra realidade a desvendar?
 
E se o grupo estivesse simbolicamente dentro da “Caverna de Platão”? (alegoria de Platão, A República, Livro VII) – acorrentado em seus condicionamentos e só pudesse enxergar as sombras projetadas da realidade “verdadeira” exterior a que não tinha acesso direto? O condicionamento cultural (“crença da verdade”) pode funcionar como um potente filtro perceptivo que dificulta a apreensão abrangente do contexto.
 
Os mistérios com que os membros do grupo se deparavam não seriam pontes ou caminhos para sair da caverna?
E os momentos mágicos não seriam o alcance de lampejos lúcidos da realidade verdadeira?
Nossa vida é cheia de mistério e magia.
Vivemos em grupos cheios de mistério e magia.
 
Quanta coisa não sabemos e não descobrimos – mesmo no dia a dia aparentemente conhecido. Nossos conhecimentos científicos não nos explicam os acontecimentos imprevistos, estranhos, as coincidências, os sinais, as visões, os sonhos. Nem o futuro, nem o passado, e nem o presente.
 
… a mais profunda emoção que podemos experimentar é inspirada pelo senso do mistério.
Essa é a emoção fundamental que inspira a verdadeira arte e a verdadeira ciência.
(Albert Einstein)
Entrementes… Que seria do mundo – e de nós – se não houvesse mistério, magia, poesia, sonhos, esperanças? Quem pode nos ajudar a lidar com mistério e magia?
 
 
 

O CIENTISTA OU O POETA?

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O cientista fornece conhecimentos comprovados racionalmente que nos fazem compreender as situações. O poeta oferece explicações intuitivas plenas de emoção e beleza que nos fazem meditar e sonhar…

Minha opção pessoal hoje é pelos poetas!
 
… Quando todas as teorias sociais entrarem em colapso e as guerras e revoluções deixarem a
humanidade em estado de desalento total, o poeta pode ressurgir e nos salvar a todos. (I. Bashevis Singer, Prêmio Nobel de Literatura 1978).
 
Um poema não é quando te deténs para apreciar um detalhe um poema não é também quando paras no fim, porque um verdadeiro poema continua sempre… Um poema que não te ajude a viver e não saiba preparar-te para a morte não tem sentido: é um pobre chocalho de palavras.
Mario Quintana
O poeta ainda nos alerta:
 
“Não desças os degraus do sonho
Para não despertar os monstros.
Não subas aos sótãos – onde
Os deuses, por trás das suas máscaras,
Ocultam o próprio enigma.
Não desças, não subas, fica.
O mistério está é na tua vida!
E é um sonho louco este nosso mundo…”
 
FELA MOSCOVICI – Fundadora da SBDG

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